terça-feira, 18 de outubro de 2011

NO ZIMBÁBUE, MULHERES SÃO ACUSADAS CRIMINALMENTE DE ATAQUES SEXUAIS ( Mundo )

17/10/2011 - 15h43

No Zimbábue, mulheres são acusadas criminalmente de ataques sexuais


DAVID SMITH
DO "GUARDIAN", EM JOHANESBURGO
Guardian Três zimbabuanas foram acusadas criminalmente de uma série de ataques sexuais contra homens que viajavam de carona, com o objetivo suposto de roubar o sêmen deles para uso em práticas rituais.
Em um caso que vem chamando a atenção da mídia e do público, a gangue compareceu ao tribunal para enfrentar acusações de ataque indecente com agravantes.
As irmãs Sophie e Netsai Nhokwara, de 26 e 24 anos, e Rosemary Chakwizira, de 28, são as primeiras suspeitas a serem detidas desde que começaram a surgir relatos sobre mulheres submetendo homens a violência sexual coletiva no Zimbábue, dois anos atrás. Juntamente com elas foi acusado Thulani Ngwenya, 24, o namorado de Sophie Nhokwara.
As 17 alegadas vítimas do grupo identificadas até agora incluem um soldado e um policial que eles teriam forçado a fazer sexo sem camisinha, segundo o jornal estatal "Herald".
"Por volta de 7h50 de 3 de março deste ano, os quatro, que andavam em um Toyota Spacio sem placas, deram carona a um homem de 19 anos em Budiriro, Harare", segundo jornal.
"O rapaz se dirigia à cidade. No caminho, as moças o teriam pulverizado com substâncias químicas, e ele sentiu tontura. Alega-se que elas se desviaram da rota e foram para uma área de mato à margem do rio Mukuvisi, atrás do parque Houghton, onde o obrigaram a tomar uma beberagem que estimula o desejo sexual."
"Em seguida elas teriam forçado o jovem a ser íntimo com as três, usando camisinha. Elas então guardaram as camisinhas usadas, contendo sêmen, antes de regá-lo com a mesma substância e deixá-lo inconsciente. Quando o jovem despertou, ele denunciou o caso à polícia."
As mulheres foram presas quando se envolveram em um acidente. A polícia teria encontrado no porta-malas do carro delas 31 camisinhas usadas, três delas ainda cheias até a metade de sêmen.
Um porta-voz da polícia de Harare, James Sabau, disse à mídia estatal que as investigações preliminares sugerem que a coleta do sêmen das vítimas estaria ligada a finalidades rituais.
"Ainda estamos tentando entender por que o sêmen foi coletado", ele teria dito. "As informações que colhemos até agora vinculam a questão inteira das mulheres estupradoras a rituais para enriquecimento. Mas ainda não está claro como funcionariam os supostos rituais."
As suspeitas, "trajando roupas de grife e com penteados sofisticados", segundo um relato, ficaram no banco dos réus enquanto foi feita a leitura das acusações, na sexta-feira passada, o que levou quase uma hora. Em seguida, foram levadas de volta à prisão até 28 de outubro.
TRADUÇÃO DE CLARA ALLAIN

FONTE: Folha.com/Mundo 

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